Pouco depois das 24 Horas de Le Mans de 1970, Maranello decidiu avançar para o desenvolvimento dos 512 M (Modificato), na casa italiana não foi possível (por várias razões, mas sobretudo a económica) lançar uma nova mini série dos 512, desta forma, justificou a nova designação, através da modificação e do melhoramento do material existente.
Enzo Ferrari queria que a “falsa” novidade iniciasse a carreira em Setembro nos 500 Km de Imola (Extra-Campeonato), e assim Mauro Forghieri e o Engº Caliri sacrificaram as suas férias, sem no entanto conseguir cumprir essa data. Foi em Zeltweg (10 de Outubro) que se estreou o 1º Ferrari 512 M, com os pilotos Ickx/Giunti.
Ickx conseguiu mostrar, no inicio da corrida, como o 512 M tinha um potencial fantástico, dominando de forma insolente, só travado por um problema no alternador do 512.
Depois surge a noticia que a Ferrari se retira oficialmente do Campeonato de 1971 (para se dedicar ao novo 312 P) e anuncia aos seus clientes a possibilidade de adaptar os seus 512 S  às novas especificações.
A mutação de S para M não era propriamente uma solução facil e em conta, e foi de facto a razão porque um dos mais antigos e fiéis clientes da marca, o Coronel Hoare (responsável da “Maranello Concessionaires”), recusou-se, pelos preço pedidos, a comprar um 512. No incio da operação “Sport” no inicio de 1970, Hoare estimou que em duas ou mais épocas de actividades, as despesas de aquisição e manutenção dum 512 seriam dificilmente amortizadas. De qualquer forma, e felizmente, poucos foram desta opinião.
Segundo alguns especialistas, as modificações operadas no 512 para 1971, regeneraram completamente o 512 S, e caso tivessem sido pilotados por pilotos de fábrica da Ferrari, teriam mudado certamente a face do Campeonato do Mundo de Marcas de 1971.

Nº de chassis construídos(1969/1971): Total de 25 exemplares (512S e 512M), entre #1002 e #1050


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 #1046/#1044

O Ferrari 512 M que correu no XVIII Circuito Internacional de Vila Real tinha o nº de châssis #1044, embora na realidade se tratasse do chassis 1046, que utilizou a placa 1044 por razões aduaneiras.
Pertencia à equipa Herber Muller Racing, e disputou as seguintes corridas, antes de Vila Real: 1000 Km Brands-Hatch, a 4 de Abril (4º da geral), 1000 Km Monza, a 25 de Abril (6º da geral), 1000Km de Spa-Francorchamps, a 9 de Maio (desistência/motor) e 1000 Km Nurburgring, a 30 de Maio (desistência/acidente).
Esta equipa pertencia ao piloto Suiço Herbert Muller, célebre pelo seu corte de cabelo ultra-curto e pelo eterno cigarro ao canto da boca. Ele efectuou quase toda a sua carreira na equipa Filipinetti, e nos anos 70 contava já com uma boa carreira centrada nas corridas de protótipos e coroada com uma vitória no Targa Florio de 1966 (com Willy Mairesse, no Porsche 906 #128 da Scuderia Filipinetti).
 No final de 1970 decide “trabalhar” por conta própria e adquire nada mais nada menos do que 6 Ferrari 512. Os châssis 1004 e 1044 à própria Ferrari, os 1008 e 1016 à Filipinetti, e os 1036 e 1046 à Solar Productions (productores do filme Le Mans).
Os 1004 e 1046 foram adquiridos sem motor, e são sobretudo utilizados como reservatórios de peças sobressalentes.
Para a época de 1971, Muller associa-se ao jovem compatriota René Herzog, e utilizam quase exclusivamente o châssis 1044, adaptado às especificações M.
Depois do violento acidente nos 1000 Km de Nurburgring, a equipa terminou a época com o 1046, que recebeu o motor e a placa de châssis do 1044 (por razões de circulação e aduaneiras), e assim correu em Vila Real.


1971


XVIII Circuito Internacional de Vila Real
3/4 de Julho
René Herzog (nº19)
Treinos: 4º
Corrida: Não terminou
(Foto: Col. Manuel Taboada)

 Para mais pormenores: http://ferrariemportugal1971.blogspot.com/